Hoje vou falar-vos das minhas origens. Embora viva na Póvoa já à 35 anos, não sou Poveira, sou de Vale de Cambra, distrito de Aveiro.
Os meus pais são de Rossas e Mansores , concelho de Arouca.
Sendo assim, passei muitas férias e temporadas por essas paragens, quando era miúda.
Os dias eram calmos e longos, não havia televisão nem computadores. Na casa dos meus avós só se ligava o rádio para ouvir o folhetim, ou o noticiário.
Eu entretinha-me a fazer bonecas de trapos, ou de espigas de milho verde, as roupinhas destas eram feitas de parras de uvas (folhas de videira).
Gostava de ir com a minha avó ao moinho, levar o milho a moer para fazer a farinha.
A seguir a minha avó aquecia o forno, amassava a farinha e cozia o pão.
De vez em quando volto lá, para matar saudades da minha infância. Foi o que fiz no passado sábado. Passei por todos os lugares por onde andei em miúda. Logo à entrada de Rossas a capela da S. do Campo, a velha mercearia da Barroca, a farmácia e a casa da típica senhora que me perguntava sempre ao que ia e para quê.
Estava um lindo dia de Outono. A paisagem era cheia de tons de todas as cores. Eram as folhas da vinha, dos castanheiros e dos diospireiros. Tudo isto mais parecia uma pintura, ou então um pintor que deixou cair todas as suas tintas, e o vento espalhou pela paisagem.
Muito mais há para dizer sobre Arouca, fica para outro dia, prometo.
